Bahá´u´lláh (Glória de Deus)

 


'Abdu'l-Bahá: Respostas a Algumas Perguntas

Bahá´u´lláh (1) apareceu num tempo em que o Império Persa estava imerso em profundo obscurantismo e ignorância, mergulhado no mais cego fanatismo. Já deveis ter lido, nas histórias europeias, descrições minuciosas dos costumes, ideias e moral dos persas nos últimos séculos. Desnecessário é repeti-las. Diremos, simplesmente, que a Pérsia descera ao ponto de causar lástima aos visitantes estrangeiros, ao verem este país tão glorioso antigamente, cujo nível de civilização fora tão elevado, achar-se agora em plena decadência, ruína e caos, vindo seu povo até a perder o sentido de dignidade.

Foi quando Bahá´u´lláh se manifestou. Seu pai era um vizir, e não um dos ulemás. Como todo o povo da Pérsia sabe, Ele nunca estudara em colégio algum, nem se associara aos ulemás ou homens de erudição. A primeira parte de Sua vida foi passada na maior felicidade. Seus companheiros eram persas da mais alta posição, embora não fossem sábios.

Apenas Bahá´u´lláh soube da manifestação de Báb, afirmou: “Este grande homem é o Senhor dos retos; crer Nele é dever de todos”. E levantou-se em apoio ao Báb, dando inúmeras provas e evidências positivas de Sua verdade, apesar de haverem os ulemás da religião oficial constrangido o governo da Pérsia a mover-Lhe oposição e, mais ainda, terem decretado, para aqueles que O seguiam, matança, pilhagem, perseguição e expulsão. Em todas as províncias, começaram a matar, incendiar, roubar os adeptos, e assaltar até as mulheres e crianças. Não obstante tudo isso, Bahá´u´lláh ergue-se e proclamou a palavra do Báb fervorosamente e com indomável firmeza. Nem por um momento se escondeu; não, andava abertamente no meio de Seus inimigos. Ocupava-se em dar provas e evidências, e era reconhecido como arauto da palavra de Deus. Sob várias condições e circunstâncias suportou infortúnios extremos, e a cada momento corria o risco de ser martirizado. Foi posto numa prisão subterrânea, em correntes, sendo confiscada Sua herança e saqueadas Suas vastas propriedades. Quatro vezes exilado de um lugar para outro, só encontrou descanso, afinal, na “Maior Prisão”. (1)

A despeito de tudo isto, nem por um momento sequer, deixou Bahá´u´lláh de proclamar a grandeza da Causa de Deus. Tais foram Seus ensinamentos, Suas virtudes, Suas perfeições, que Ele se tornou objeto da admiração de todo o povo da Pérsia. Em Teerã, Bagdá, Constantinopla, Romélia, e até em ´Akká, todos os sábios e homens de ciência, quer amigos, quer inimigos, quando admitidos à Sua presença, recebiam sempre, para qualquer pergunta que Lhe tivessem feito, a resposta mais completa e persuasiva, vindo assim a confessar, frequentemente, ser Ele único, incomparável, em todas as perfeições.

Acontecia muitas vezes reunirem-se em Bagdá certos ulemás, rabinos e cristãos, com alguns sábios europeus. Nesses abençoados momentos, cada um tinha alguma pergunta a propor, e todos, embora seus graus de cultura fossem muito diversos, recebiam respostas adequadas e convincentes, podendo então retirar-se satisfeitos. Até mesmo os ulemás persas de Karbala e Najaf escolheram um sábio, de nome Mulla Hasan Amu, e Lhe mandaram em missão. Esse emissário foi admitido à Santa Presença e apresentou as várias perguntas dos ulemás, às quais Bahá´u´lláh respondeu. Então, Hasan Amu disse: “Os ulemás reconhecem, sem hesitação, e confessam a sabedoria e a virtude de Bahá´u´lláh, e estão convencidos unanimemente que em toda a erudição ele é único, sem igual; é evidente também que nunca estudou, portanto não adquiriu essa erudição”; mas, ainda os ulemás dizem: “Não estamos contentes com isso; não admitimos a realidade de sua missão em virtude de sua sabedoria e integridade. Pedimos-lhe, pois, que nos faça um milagre, a fim de satisfazer e tranquilizar os nossos corações”.

Bahá´u´lláh respondeu: “Embora não tenhais direito de pedir isso, pois só a Deus compete provar Suas criaturas, e não estas a Deus, admito, no entanto, e aceito esse pedido. A Causa de Deus, porém, não é exibição teatral, apresentada de hora em hora, da qual se possa esperar todos os dias um divertimento novo; se assim fosse, tornar-se-ia mero brinquedo de crianças. Os ulemás devem, pois, reunir-se e de comum acordo escolher um milagre, e escrever que, após a sua realização, não mais terão dúvidas a Meu respeito, mas admitirão e confessarão a verdade de Minha Causa. Selem o documento e tragam-no. Este deve ser o critério aceito: realizado o milagre, não lhes restará dúvida; em caso contrário, nós seremos acusados de impostura”. O sábio, Hasan Amu, levantou-se e respondeu: “Nada mais há a dizer”, beijou então o joelho do Abençoado, embora não fosse crente, e partiu. Reuniu os ulemás e transmitiu-lhes a sagrada mensagem. Depois de se consultarem, disseram: “Esse homem é mágico; talvez faça mágica e assim nada mais teremos a dizer”, e agindo de acordo com isto, não ousaram levar avante a questão. (1)

Hasan Amu falou dessa ocorrência em muitas reuniões. Depois de deixar Karbala, foi a Kirmanshah e Teerã, e em toda parte contou os pormenores, frisando sempre o medo e a retirada dos ulemás.

Numa palavra, todos os adversários de Bahá´u´lláh no Oriente admitiam Sua grandeza, sublimidade, sabedoria e virtude, e, não obstante serem Seus inimigos, sempre se referiam a Ele como “o famoso Bahá´u´lláh”.

No tempo em que esta grande Luz se ergueu de súbito no horizonte da Pérsia, o povo, os ministros, ulemás e membros das outras classes levantaram-se contra Ele, perseguindo-O com a maior animosidade e proclamando que esse homem queria eliminar e destruir a religião, a lei, a nação e o império. Dizia-se o mesmo de Cristo. Bahá´u´lláh, entretanto, só, sem apoio, resistiu a todos, jamais mostrando a mínima fraqueza. Finalmente disseram: “Enquanto esse homem permanecer na Pérsia, não haverá paz nem tranquilidade; devemos exilá-lo, a fim de que a Pérsia possa voltar a um estado de sossego.”

Empregaram, pois violência para com Ele, a fim de obrigá-lo a pedir permissão para sair da Pérsia, pensando que assim se extinguiria a luz de Sua verdade; mas o resultado foi justamente o contrário. A Causa tornou-se mais gloriosa; mais intensamente ardia sua chama. Difundira-se, de início, pela Pérsia, somente, mas com o exílio de Bahá´u´lláh, atingiu outros países. Mais tarde, Seus inimigos disseram: “Iraque Árabe (1) não é bastante longe da Pérsia; temos que mandá-lo para um reino mais distante.” Assim o governo persa resolveu mandar Bahá´u´lláh do Iraque para Constantinopla; mas, novamente, se verificou que a Causa nem por isso se enfraquecia. Ainda outra vez os persas disseram: Constantinopla é um lugar de passagem, de morada temporária para várias raças e povos, entre os quais muitos persas”, e exilaram-No, pois, para mais longe, para a Romélia. Ali se intensificou, porém, o ardor de Sua chama; a Causa era enaltecida cada vez mais. Disseram os persas afinal: “Nenhum desses lugares está seguro contra sua influência; devemos exilá-lo para algum lugar em que esteja completamente destituído de poder, e sua família e seus adeptos tenham que se submeter às mais penosas aflições”. Escolheram, portanto, a prisão de ´Akká, reservada especialmente para assassinos, ladrões e salteadores de estrada – e foi, em verdade, entre tais criminosos que O classificaram.

O poder de Deus, entretanto, manifestou-se: Sua palavra foi divulgada, e a grandeza de Bahá´u´lláh tornou-se evidente, pois foi sob tais circunstâncias, enquanto nessa prisão, que Ele fez a Pérsia progredir em conhecimentos. Venceu todos os inimigos, provou-lhes que não podiam resistir à Causa. Seus santos ensinamentos penetraram todas as regiões; firmou-se a Sua Causa.

Em toda a Pérsia, surgiram contra Ele os inimigos cheios de ódio. Sujeitavam os adeptos ao açoite, à prisão, até à morte; incendiavam e arrasavam milhares de moradas. Por todos os meios queriam exterminar a Causa, esmagá-la completamente. Apesar de tudo isso, se bem que fosse promulgada de uma prisão de assassinos, salteadores e ladrões, esta Causa era enaltecida. Seus ensinamentos foram largamente disseminados: Suas exortações atingiram até mesmo muitos daqueles mais cheios de ódio, transformando-os em crentes fervorosos. O próprio governo da Pérsia despertou, e arrependeu-se do que sucedera por culpa dos ulemás.

Com a vinda de Bahá´u´lláh a essa prisão na Terra Santa, os sábios perceberam que a boa nova dada por Deus pela boca dos Profetas, dois ou três mil anos antes, havia novamente se manifestado; Deus fora fiel à sua promessa, pois a alguns dos Profetas revelara a boa nova de que “O Senhor dos Exércitos se manifestaria na Terra Santa”. Todas estas promessas se cumpriram e, não fossem as perseguições infligidas pelos inimigos – não fosse Sua expulsão – difícil seria ver como Bahá´u´lláh poderia ter deixado a Pérsia e levantado Sua tenda na Terra Santa. Seus inimigos visaram com esse encarceramento à destruição total da sagrada Causa, mas foi, na realidade, o maior benefício; tornou-se meio de seu desenvolvimento. O renome da sublimidade de Bahá´u´lláh estendeu-se pelo Oriente e pelo Ocidente; os raios do Sol da Verdade iluminaram o mundo inteiro. Louvado seja Deus! Embora prisioneiro, ergueu tenda no Monte Carmelo e movia-se livremente com a maior majestade. Cada um que vinha à Sua presença, fosse amigo, fosse estranho, dizia: “Este é um príncipe e não um cativo”.

Logo após a chegada a esse cárcere, dirigira Bahá´u´lláh uma epístola a Napoleão, (1) enviando-a por intermédio do embaixador francês. Seu conteúdo foi, em resumo: “Pergunta qual o nosso crime, e por que estamos encarcerados nesta prisão, nesta masmorra”. Napoleão não respondeu. Foi-lhe enviada outra epístola, a qual se encontra no Suratu´l-Haikal, (2) e na qual advertiu: “Ó Napoleão, por não haveres escutado a minha proclamação, nem a ela respondido, perderás em breve teu domínio e sofrerás destruição total.” Essa epístola foi enviada a Napoleão pelo correio, graças ao cuidado de Cesar Ketafagoo (1) – fato este conhecido por todos Seus companheiros de exílio. O texto desta advertência espalhou-se por toda a Pérsia, porque nesse tempo divulgou na Pérsia o Kitábu´l-Haikal, no qual estava incluído. Isso aconteceu em 1869. Como fizessem o Suratu´l-Haikal circular na Pérsia e na Índia, e assim chegar às mãos de todos os crentes, estes aguardavam com ansiedade os futuros acontecimentos. Logo depois, em 1870, rebentou a guerra entre a Alemanha e a França, e embora ninguém esperasse naquele tempo a vitória da Alemanha, Napoleão conheceu, afinal, a derrota e a desonra, teve que render-se aos inimigos, e sua glória se transformou, realmente, em profunda humilhação.

Foram enviadas epístolas a outros reis, entre os quais Sua Majestade, Nasiru´d-Din Xá. Nesta epístola Bahá´u´lláh disse: “Mandai-me chamar, reuni os ulemás, e pedi provas e argumentos, a fim de se saber o que é verdadeiro e o que é falso”. Sua Majestade Nasiru´d-Din Xá enviou a sagrada epístola aos ulemás, propondo-lhes que empreendessem a missão, mas não o ousaram fazer. Pediu então a sete dos mais célebres entre eles que escrevessem uma resposta ao desafio. Após algum tempo, devolveram a sagrada epístola, dizendo: “Esse homem opõe-se à religião e é inimigo do Xá”. Sua Majestade, o Xá da Pérsia, muito aborrecido, disse: “Esta questão exige provas e argumentos para demonstrar sua verdade ou sua falsidade; que tem isso com inimizade ao governo? Ai! quanto respeitávamos esses ulemás, mas nem podem responder a esta epístola!”

Em resumo, tudo o que estava escrito nas epístolas aos reis está se cumprindo. Se conferirmos os acontecimentos desde o ano 1870, verificaremos terem quase todos se realizados de acordo com as profecias; restam apenas poucas, as quais mais tarde hão de se cumprir.

Assim, povos estrangeiros também, e várias seitas que não acreditaram em Bahá´u´lláh, atribuíram-Lhe muitas coisas maravilhosas, dizendo alguns que era santo. Outros escreveram acerca Dele, entre os quais Sayyd Dawoudi, sábio sunita de Bagdá, que compôs um pequeno tratado no qual relata alguns atos sobrenaturais. Há pessoas ainda, em toda parte do Oriente, que O consideram santo e têm fé em Seus milagres, embora não O aceitam como Manifestante Divino.

Tantos inimigos como adeptos, e todos aqueles admitidos à Sua presença, reconheciam e atestavam a grandeza de Bahá´u´lláh embora Nele não acreditassem, e logo que entravam neste santo lugar, tal era o efeito de Sua presença, que quase todos se sentiam sem o poder de pronunciar uma palavra. Quantas vezes acontecia um de seus acérrimos inimigos dizer de si para si: “Direi tais e tais coisas ao chegar à sua presença, disputarei e arguirei do seguinte modo”, mas quando ali entrava, ficava atônito e confuso, até mesmo mudo.

Bahá´u´lláh, nunca estudara o árabe; não tivera instrutor ou professor, nem frequentara escola; no entanto, a eloquência, o estilo elevado, de Suas dissertações na língua árabe, como também Suas obras escritas no mesmo idioma, causaram admiração, até espanto, aos sábios árabes de mais renome, e todos reconheceram e declararam ser Ele incomparável e sem igual.

Se examinarmos cuidadosamente o texto da Bíblia, veremos que o Manifestante Divino jamais disse aos que O negavam: “Seja qual for o milagre que desejardes, estarei pronto para realizá-lo, e submeter-me-ei a qualquer prova que propuserdes.” Na epístola ao Xá, porém, Bahá´u´lláh disse claramente: “Reuni os ulemás e mandai-me chamar, para que as provas e evidências possam ser estabelecidas.” (1)

Com a firmeza de uma montanha, Bahá´u´lláh enfrentou os inimigos durante cinquenta anos. Todos desejavam destruí-Lo; mil vezes planejaram crucificá-Lo. Durante cinquenta anos esteve Ele em constante perigo.

Tal é o grau de decadência e ruína da Pérsia hoje, que todas as pessoas inteligentes, sejam persas, ou estrangeiras, compreendendo a verdadeira situação do país, reconhecem que o progresso, a cultura e a reforma dependem da adoção dos ensinamentos desta grande personagem, e do desenvolvimento de Suas teorias.

Cristo, em Seu tempo abençoado, educou realmente apenas onze homens, dos quais o maior era Pedro, se bem que este, ao ser interrogado, O negasse três vezes. Não obstante isso, a Causa de Cristo penetrou, em seguida, o mundo inteiro. Em nosso tempo, Bahá´u´lláh educou milhares de almas, as quais, sob a ameaça da espada, erguiam aos céus o grito de “Yá Bahá´u´l-Abhá” (1) e no fogo das provações suas faces reluziam como ouro. Reflitamos, pois, no que há de suceder no futuro.

Enfim, devemos ser justos e reconhecer o grande educador que foi esse Ente Glorioso; devemos verificar os maravilhosos sinais por Ele manifestados, e admitir que, em todo o mundo, Dele emanaram forças e poder inegáveis.

 

Profetas que descenderam de Abraão

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POR DAN GEBHARDT | 16 DE JULHO DE 2016


"Bahá'u'lláh também é um descendente direto de Abraão, pois Abraão teve outros filhos além de Ismael e Isaque, que naqueles dias emigraram para as regiões da Pérsia e do Afeganistão, e a Abençoada Beleza [Bahá'u'lláh] é um de seus filhos. descendentes."– Abdu'l-BaháAlgumas Perguntas Respondidas, edição revisada recentemente, p. 247.

Esta notável passagem afirma claramente que Baha'u'llah , o profeta e fundador da Fé Baha'i , descende de Abraão através de outro filho que não é Ismael ou Isaac.

Visto que, até onde sabemos, Ismael e Isaque eram os únicos filhos de Abraão com Hagar e Sara, isso parece deixar Quetura, a terceira esposa de Abraão, como a mãe de seus outros filhos.

Quando encontrei esta passagem, comecei a pesquisar as tradições do Oriente Médio sobre Keturah (Qanṭūrā), a terceira esposa de Abraão, e encontrei várias afirmações interessantes:

  •           O Livro do Fim, do estimado comentarista do Alcorão do século XIV, Isma'il ibn Kathir, afirma que os povos turcos são descendentes de Abraão via Keturah (Maktaba Dar-us-Salam, p. 120).
  •          Muito antes, al-Jahiz (776-868 EC) defendeu a descendência abraâmica do povo turco em seu Manaqib al-Turk com base em uma conexão entre Keturah e Khorasan - a terra do nordeste do Irã e do Afeganistão. Jacob Lassner (The Middle East Remembered: Forged Identities, Competing Narratives, Contested Spaces, p. 192.)   argumenta que essa conexão ajudou a aumentar o status do povo turco em relação a outros povos do Islam.
  •           Muhammad ibn Jarir al-Tabari, um famoso tradicionalista e historiador persa do século 10, narra que alguns dos filhos de Keturah estavam sem pátria até que Abraão “ensinou-lhes um dos nomes de Deus, e eles costumavam usá-lo para pedir água e pedir ajuda. Alguns deles se estabeleceram no Khurasan.” (A História de al-Ṭabari, Vol. II: Profetas e Patriarcas , p. 129).  Muhammad Baqir al-Majlisi, em Bihar al-Anwar, até registra uma conexão entre os filhos de Keturah e a China.
  •         Uma tradição judaica ou cristã armênia afirma que os próprios persas são descendentes de Quetura, filha de Jafé (Jacob Neusner, “Os judeus na Armênia pagã”, JAOS Vol. 84, nº 3, 1964; p. 236).

No entanto, a declaração de 'Abdu'l-Bahá em Algumas Perguntas Respondidas não implica que a linhagem de Keturah esteja associada a qualquer cultura ou etnia em particular hoje. Dada a persistente difusão da hereditariedade humana através das fronteiras geográficas, seria incrivelmente surpreendente se Bahá'u'lláh não tivesse a Senhora Keturah como ancestral, mesmo independentemente dos fatos sobre onde às primeiras gerações de seus descendentes se estabeleceram. Ainda assim, ajuda saber que as tradições existentes corroboram amplamente com os ensinamentos bahá'ís sobre esse assunto.

Tudo isso, entretanto, não responde por que Abdu'l-Bahá enfatizou a descendência de Bahá'u'lláh de Abraão através de uma linha diferente de Isaque ou Ismael.

Os filhos de Keturah criaram uma espécie de ponta solta nas escrituras - sua história ficou pendente tanto na Bíblia quanto na tradição islâmica. Essa curiosa ambiguidade só é intensificada pelo fato de que culturas tão diversas quanto persas, turcas, chinesas e malaias foram reivindicadas, ou se afirmam, como descendentes dela.

O Alcorão 2:124 afirma que Deus designou Abraão como um Imam ou Guia para a humanidade. Abraão pediu que isso continuasse em sua descendência, e Deus respondeu: “Minha aliança não inclui malfeitores”. A interpretação xiita considera esta passagem como uma concessão tácita do pedido de Abraão - que sempre haveria alguém inspirado e incorrupto da linhagem de Abraão para atuar como um guia religioso para a humanidade, embora não necessariamente da linhagem israelita. A rejeição de Jesus Cristo por muitos dos israelitas coincidiu com um lapso na linha de profetas israelitas. Séculos depois, guias divinos apareceram da linhagem de Ismael, na forma de Muhammad e dos Imames.

Tragicamente, a história se repetiu na injustiça tirânica perpetrada pelo clero xiita contra o Báb, o Prometido do Islam, e seus seguidores. Neste contexto, o ensinamento de Abdu'l-Bahá de que Bahá'u'lláh descende de Abraão e Keturah implica um novo começo, um recomeço - não o início de outra "linhagem escolhida" ou "povo escolhido", mas o alvorecer do reconhecimento da humanidade de que não importa de onde tracemos nossa linhagem, somos todos filhos de um Deus.

Quando aprendermos a valorizar essa identidade acima de tudo, a longa noite de nossa espécie – na qual a humanidade muitas vezes se tornou seu pior inimigo – terminará e nosso verdadeiro dia começará.

 

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Fé Mundial para o Homem Moderno

 

Santuário do Báb em Haifa, Israel.

Por Arthur L.

Natureza e Propósito


A Fé Bahá'í é uma religião nova, independente, universal, cujo objetivo é revivificar a humanidade espiritualmente, demolir as barreiras entre os povos e lançar o alicerce para uma sociedade mundial unificada, baseada em princípios de justiça e amor.


A Fé Bahá'í reconhece que o problema principal de nossa era é a solução de uma série de conflitos profundamente arraigados, os quais se entrelaçam, penetrando em vários níveis da sociedade: conflitos entre ideologias, nações, religiões, raças e classes. Tais conflitos, quando combinados com as armas de aniquilamento produzidas pela nossa era, ameaçam o futuro da civilização como nós a conhecemos. Dão uma orientação errada aos esforços da ciência e da tecnologia numa época em que o homem está começando a descobrir os mistérios do espaço interplanetário a de aproveitar novas fontes de energia. Estes conflitos consomem uma desmedida proporção de nossos esforços, e nos desviam a atenção da conquista de nossos inimigos naturais: a ignorância, a doença, a fome.


A opinião mundial reconhece, em escala crescente, o fato de que a solução desses conflitos deve ser aplicada em nível mundial, a fim de que haja oportunidade duradoura de manter a paz. Cresce também a convicção de que todos esses conflitos têm como causa fundamental a falta de um dinamismo espiritual, de um poder moral ou ético bastante forte para neutralizar as forças sociais divisaras e canalizar os esforços dos homens em direções construtivas. Quando, no entanto, contemplamos o campo da religião - fonte histórica de orientação e assistência espirituais - verificamos estarem as grandes religiões distintamente divididas, constituindo, elas mesmas, uma das áreas principais de conflito. Existem separadamente umas das outras e, através dos séculos, vêm desenvolvendo em seus adeptos atitudes para com a vida que mostram uma larga divergência e impedem um entendimento geral e a cooperação entre os povos.


Desde que uma solução duradoura de nossos problemas políticos e econômicos seja atingível somente em nível mundial, é mister que primeiro seja feito algo para transpor a vasta brecha espiritual existente entre os seguidores das principais religiões. E difícil visualizar, por exemplo, o estabelecimento de um genuíno governo mundial enquanto vários segmentos da população do mundo, em tão notável grau, diferem em seus propósitos, atitudes e valores fundamentais. O que se torna imprescindível é uma nova atitude espiritual que possa a um tempo reconciliar as contradições básicas nas principais crenças religiosas, ser consistente com modernos princípios científicos e racionais e oferecer a todos os povos um conjunto de valores e um sentido para a vida, que eles possam aceitar e aplicar. Para satisfazer tal necessidade, a Fé Bahá'í apresenta uma série de ensinamentos desafiadores no conceito da revelação progressiva.


Revelação Progressiva


O mais grave empecilho da unidade religiosa tem sido a insistência, por parte de cada uma das principais religiões em que seu Fundador e Profeta possua algum grau de autoridade exclusiva ou de caráter definitivo. A Fé Bahá'í ensina que esta divisão tradicional é resultado de interpretação errônea das palavras simbólicas dessas grandes Figuras espirituais. Na opinião bahá'í, a força incognoscível que é responsável por toda a criação Deus, guia e ajuda a quem está no ápice de Sua criação, ou seja o homem, mandando-lhe periodicamente um Educador. Este Educador, fisicamente um homem como os demais, foi escolhido por Deus e divinamente inspirado a exercer três funções: (1) reafirmar as eternas verdades espirituais, tais como a Regra de Ouro que se encontra na maioria dos ensinamentos religiosos; (2) trazer leis e ensinamentos aplicáveis às necessidades da sociedade de Seu tempo, mas que não sejam, necessariamente, destinados a ser permanentes; e (3) liberar no mundo inteiro uma força espiritual, intangível, mas cujos efeitos sejam bem mensuráveis, força esta, em virtude da qual milhões de pessoas haverão de responder ao Profeta e aos Seus Ensinamentos, reconhecendo-os como sendo provenientes de Deus, fazendo com que a nova religião se torne o grande ímpeto para a próxima ascendência cíclica da civilização.


A chave para a interpretação Bahá'í do significado da religião no desenvolvimento da sociedade é a sua ênfase na natureza periódica, evolucionária dessa influência. Se Deus concede à humanidade qualquer orientação, é lógico que Ele faria isto desde o próprio início da existência do homem como espécie, e que continuaria a guiá-lo indefinidamente. E uma vez que mudança e progresso ordenados caracterizam todos os outros aspectos de nossa vida, por que não devem ser aplicáveis ao nosso desenvolvimento espiritual também? Por acreditarem que os Mensageiros de Deus são divinamente inspirados, proferindo a palavra de Deus e ocupando um nível de existência bem acima do homem comum, os Bahá'ís Os reverenciaram em Sua excelsa posição de ascendência espiritual e como fonte de conhecimento de Deus que seja acessível ao homem, mas não adoram a estes Mensageiros como sendo Deus encarnado. Aceitando o fato de que os Reveladores de todas as principais religiões existentes, Krishna, Buda, Zoroastro, Moisés, Jesus Cristo e Muhammad ocupam igualmente a posição de Manifestante de Deus, e reconhecendo as religiões por Eles estabelecidas como sendo genuínas e verdadeiras expressões da mensagem de Deus, o ponto de vista Bahá'í reconcilia os conceitos básicos dessas religiões sem exigir que seja repudiada a lealdade a qualquer um dos Fundadores ou a crença em Sua divindade. Grandes divergências em seus ensinamentos hoje podem ser explicadas pelas alterações que Profetas sucessivos têm feito nas leis, aplicáveis às transitórias exigências da sociedade, e pelo fato de que muitos dos ensinamentos atuais das igrejas ortodoxas derivam, não das palavras originais dos Profetas, mas sim, dos dogmas e interpretações acrescentados subseqüentemente pelos falíveis dirigentes eclesiásticos. Com efeito, os Bahá'ís consideram todas essas grandes religiões do mundo como sendo parte da mesma religião evolutiva, a qual tem sido reformulada e revigorada periodicamente pela vinda de um novo Profeta que é inspirado pela mesma fonte de sabedoria e poder espiritual.


Levando este conceito até nossa era, os Bahá'ís acreditam que este período da história é comparável, em muitos aspectos, às eras do passado em que os grandes Profetas vieram esclarecer e guiar a humanidade. Certamente, o mundo se afastou da religião, pelo menos em seu sentido puro, como uma influência e inspiração nas vidas e ações diárias de grandes grupos de pessoas. Em conseqüência, carecemos de uma moralidade básica e temos permitido que se desenvolvesse uma atitude mental em que o conflito prosperasse, tornando-se o fato dominante e o problema crítico de nosso tempo.


Muitos procuraram uma revivificação espiritual mas divergem quanto ao modo de atingi-Ia. Se as lições do passado são significativas, tal revivificação será alcançada somente através do aparecimento de um grande novo dirigente espiritual, e não pela renovação de qualquer das instituições religiosas do passado.


E é isto, exatamente, que a Fé Bahá'í afirma ter acontecido. Bahá'u'lláh, que fundou a Fé, é aceito pelos Bahá'ís como o Profeta de Deus para nosso tempo, guiado por Deus, do mesmo modo que Cristo, Maomé, Moisés e os outros Profetas, possuindo o mesmo dinamismo espiritual e tendo vindo ao mundo para desempenhar as mesmas três funções. Acredita-se ter Ele a mesma capacidade para neutralizar dominantes influências negativas e conduzir a humanidade a um novo nível de existência pacífica, unificada e construtiva.


História da Fé Bahá'í


Em 23 de maio de 1844, um jovem persa declarou-se o precursor de uma importante nova Figura espiritual, e assumiu o título de Báb (Porta). Seus ensinamentos eram profundos e poéticos e foram largamente aceitos na Pérsia. Mas também foram considerados heréticos pelos fanáticos mullás islâmicos, que ensinavam ser Maomé o maior e o último dos Profetas, e que receavam que os Bábís representassem uma ameaça à solidez de sua posição. O clero islâmico, pois, coligou-se com o governo corrupto para exterminar a nova Fé pela força. Durante duas décadas, mais de vinte mil Bábís foram martirizados, sendo muitas vezes, cruelmente torturados. O próprio Báb foi fuzilado publicamente, em 1850, perante cerca de 10.000 espectadores. Esse período constitui um dos episódios heróicos e dramáticos da história moderna e merece ser melhor conhecido no mundo ocidental.


Um dos Bábís mais ativos foi Mirza Husayn 'Alí, filho de um dos ministros do governo, que desde jovem mostrou maior interesse em assuntos espirituais do que no mundo da política e da sociedade. Abraçou a Fé Bábí desde sua etapa inicial, e demonstrou uma compreensão notável dos sentidos mais profundos dos ensinamentos do Báb. Em 1853, enquanto na prisão por causa de suas atividades Bábís, teve uma indicação de que era Ele o grande Profeta predito pelo Báb, mas não anunciou isto publicamente até 1863. O título de Bahá'u'lláh (Glória de Deus) Lhe havia sido conferido pelo Báb. A maioria dos Bábís aceitou Sua pretensão, tornando-se Bahá'ís (Seguidores da Glória), embora houvessem algumas deserções por parte daqueles que aspiravam à liderança e se sentiram desapontados.


Muitos hoje tendem a pensar em Profetas em termos de épocas passadas. Parece difícil relacionar esses seres remotos e santos ao mundo moderno e aos problemas do dia a dia. Bahá'u'lláh , entretanto, não só viveu em nosso tempo, mas também foi contemporâneo no mais pleno sentido da palavra. Não somente são Seus ensinamentos extremamente adiantados, como Ele pessoalmente, exercia uma influência profunda sobre todos os que tinham contato com Ele - uma influência que continuará a estender-se por séculos.


Um famoso orientalista da Universidade de Cambridge, o professor Edward G. Browne, que visitou Bahá'u'lláh em 1890, sendo um dos poucos ocidentais a ter o privilégio de estar em Sua Presença, escreveu vividamente acerca Dele: "Jamais me esquecerei da fisionomia daquele para quem olhava, embora não possa descrevê-Ia. Aqueles olhos penetrantes pareciam ler-nos a própria alma; poder e autoridade residiam naquela testa larga; enquanto as linhas profundas do rosto indicavam uma idade que os cabelos pretos de azeviche e a barba fechada que quase tocava na cintura, pareciam desmentir. Não me foi preciso perguntar em cuja presença estava, enquanto me curvei diante Daquele que é objeto de uma devoção e um amor que os reis poderiam invejar e os imperadores em vão almejar!"


Por causa de contínuas perseguições pela hierarquia islâmica e pelos governos da Pérsia e da Turquia, Bahá'u'lláh e Seus seguidores mais íntimos ficaram presos. Ele até o Seu falecimento em 1892, e Seus seguidores por ainda mais dezesseis anos. Os últimos anos da vida de Bahá'u'lláh foram passados na cidade-fortaleza de 'Akká, e em Bahjí, cidade próxima de 'Akká. Durante todos aqueles anos de prisão, Ele trabalhou ativamente a fim de estabelecer para a nova Fé um alicerce firme, através de escritos copiosos e inspirados, e da sua administração através de correspondência e contato com um grande fluxo de visitantes. Suas poderosas cartas aos monarcas que reinavam naquele tempo prognosticaram acuradamente a tendência da história moderna. Seus escritos· espirituais representam as Escrituras da Fé Bahá'í, nas quais temos pela primeira vez o Livro Sagrado de uma grande religião escrito do próprio punho, autenticado, de seu Fundador, ou assinado por Ele, no caso de ser escrito por um secretário.


Esses escritos são aceitos pelos Bahá'ís como sendo a Palavra de Deus para esta era, e a uma parte importante deles temos agora acesso.


Em Seu Testamento, Bahá'u'lláh nomeou Seu filho mais velho, 'Abdu'l-Bahá, para ser a figura central na Fé após Seu falecimento. De modo algum é 'Abdu'l-Bahá considerado um Profeta divinamente inspirado, como Bahá'u'lláh e o Báb, mas é acatado como exemplar perfeito do espírito dos ensinamentos de Bahá'u'lláh em sua aplicação à vida de um homem, e Suas explicações dos significados desses ensinamentos, escritas num estilo um tanto mais ocidentalizado do que o de Seu Pai, são aceitas como autênticas. Ele era um homem santo, amado e reverenciado por todos aqueles que tiveram contato com Ele.


'Abdu'l-Bahá e Seu séquito foram libertados da prisão pela Revolução dos Jovens Turcos em 1908. Mudou-se para Haifa, e hoje a sede internacional da Fé lá se encontra, no Monte Carmelo, onde belos Santuários e jardins foram construídos. 'Abdu'l-Bahá visitou a Europa em 1911 e Europa e América em 1912, onde falou a auditórios de costa a costa. Foi-lhe conferido o título de Cavalheiro do Império Britânico, em 1920, em vista de Suas atividades humanitárias durante a I Guerra Mundial. Faleceu em 1921.


O Testamento de 'Abdu'l-Bahá estabeleceu a instituição da Guardiania e nomeou como Guardião Seu neto, Shoghi Effendi, que era então estudante na Universidade de Oxford. Durante trinta e seis anos Shoghi Effendi trabalhou arduamente para fortalecer e desenvolver a Ordem Administrativa Bahá'í. Seus próprios escritos, muitos dos quais em inglês, expandiram os horizontes da Fé e lhe deram orientação num período extremamente difícil de sua história. Sua visão da Fé, sua compreensão da situação mundial e sua habilidade superior como administrador foram consideradas pelos Bahá'ís como produto da guia divina conferida a ele em sua qualidade de Intérprete dos Ensinamentos Bahá'ís.


Em Londres, a 4 de Novembro de 1957, Shoghi Effendi faleceu de um ataque cardíaco. Na ocasião de seu falecimento, havia vinte e sete pessoas conhecidas como as Mãos da Causa de Deus, nomeadas por Ele para a prosseguição do trabalho unificado de ensino e a proteção dos interesses da Fé. Mediante seus esforços, a primeira Casa Universal de Justiça foi eleita em 1963 pelas cinqüenta e seis Assembléias Espirituais Nacionais (corpos administrativos eleitos nacionalmente) existentes naquele tempo, de acordo com as explícitas provisões nos Escritos de Bahá'u'lláh e 'Abdu'l-Bahá para a eleição dessa instituição suprema da Fé Bahá'í. Embora eleita democraticamente, a Casa Universal de Justiça no seu funcionamento como uma entidade recebe guia divina, segundo nos asseguram os Escritos de Bahá'u'lláh . Ela age como o supremo corpo legislativo no mundo bahá'í, aplicando os ensinamentos de Bahá'u'lláh para condições e problemas específicos, e provendo a adaptação necessária a novas circunstâncias, essencial nesta era de mudanças tão rápidas.


Ensinamentos Religiosos


Bahá'u'lláh restabeleceu e reafirmou o Convênio entre Deus e o homem, a gloriosa promessa registrada nas várias religiões do passado mas de um modo geral ignorada hoje. Segundo este Convênio, Deus se incumbe de guiar e ajudar o homem a progredir espiritualmente através de Seus Manifestantes, mas o homem, por outro lado, aceita a responsabilidade contínua de amar a Deus e seguir Seus preceitos e leis conforme revelados pelos Profetas, em t9dos os tempos e todos os aspectos de sua vida. E por falta de responsabilidade para com seu Criador que o homem moderno anda tão sem rumo moralmente e está assim suscetível aos preconceitos e conflitos que operam contra seus próprios e melhores interesses.


Os ensinamentos Bahá'ís exigem um padrão de conduta moral extremamente elevado. A monogamia é prescrita para todos, e uma conduta casta é exaltada. O casamento requer o consentimento de todos os pais vivos, e o divórcio deve ser precedido por um ano de separação provisória e por uma tentativa de reconciliação. O álcool e os narcóticos são proibidos a não ser para fins de medicação. Pureza, honestidade, generosidade e abnegação são consideradas virtudes fundamentais; e um senso de responsabilidade por seu próximo é enfatizado. Maledicências e críticas da vida alheia são condenadas. Os Bahá'ís não são puritanos; são encorajados a desfrutarem as legítimas belezas e prazeres oferecidos por este mundo. As restrições nas leis morais não são vestígios ultrapassados de doutrinas puritanas mais sim uma nova asseveração de Deus de que este padrão de conduta levará à maior felicidade e realização em nossas vidas.


Bahá'u'lláh reafirma uma crença na imortalidade da alma individual e amplia o conhecimento do homem acerca da natureza da vida após a morte. O objetivo do homem nesta terra é amar e adorar a Deus, adquirir conhecimento Dele através dos ensinamentos dos Profetas e progredir espiritualmente pela aplicação destes ensinamentos em sua vida diária. O progresso assim atingido será levado avante depois da alma haver se libertado do corp9 e alcançado seu próximo nível de existência. E esta a recompensa da realização espiritual, tão diferente da transferência da alma para um céu ou um inferno literal.


Os escritos Bahá'ís contêm, outrossim, muitas explicações das mais difíceis e simbólicas passagens das Escrituras das religiões passadas, esclarecendo questões que têm motivado divisão religiosa, e relacionando muitas das profecias a acontecimentos reais. O enfoque é racional e está em harmonia com os princípios científicos modernos, embora também inclua um elemento de fé em áreas que ultrapassam a lei natural como é hoje compreendida.


A prece desempenha papel importante na devoção bahá'í, e muitas belas orações foram reveladas nas Escrituras. O efeito de todo o enfoque Bahá'í para com a vida é tornar o crente individual uma pessoa equilibrada, bem-ajustada, em harmonia com seu ambiente. Esta não é uma Fé ascética, mas sim, ensina que a vida mais espiritual é vivida ativamente na sociedade, contribuindo para o processo produtivo e transmitindo às pessoas, através do exemplo e do ensino pessoal, os princípios de Bahá'u'lIáh.


Ensinamentos Políticos e Sociais


A Fé Bahá'í apresenta ensinamentos mais amplos sobre assuntos políticos, econômicos e sociais do que as grandes religiões do passado. Deve-se ter em mente que Bahá'u'lIáh enunciou estes princípios no período entre 1863 e 1892 quando a monarquia era a forma de governo prevalecente, e a revolução industrial mal se iniciara.


A idéia fundamental destes ensinamentos é o princípio da unidade do gênero humano. No passado, as religiões foram regionais em seu impacto e sua influência. Em nossa era, porém, pela primeira vez, o mundo se tornou um só fisicamente e assim, para que os homens prosperem sob tais condições, devem atingir também a unidade espiritual, política e econômica. Através do princípio da revelação progressiva, Bahá'u'lláh tornou possível a reconciliação das doutrinas das principais religiões. É previsto que a Fé Bahá'í irá conduzir os povos gradativamente, à adoção de uma fé universal, o que preencherá as lacunas, tanto espirituais como culturais, ora existentes. Inclui-se neste processo uma compreensão de que nossa lealdade básica é para com a humanidade como um todo e não a qualquer nação ou grupo menor. Isso abrandará a intensidade do nacionalismo, uma das principais causas atuais de conflito.


A fim de efetivar este princípio da unidade do gênero humano, Bahá'u'lláh visualizou uma Ordem Mundial de grande alcance, baseada num governo federado mundial, com autoridade sobre todos os assuntos internacionais, com suas necessárias instituições, tais como uma corte mundial e uma força de segurança internacional. Um idioma internacional será aprendido por todos, além da língua nativa, como meio importante de aumentar o entendimento mútuo, através de melhor comunicação. Adotar-se-á uma atitude universal para com os problemas econômicos, sendo eliminadas gradativamente as barreiras para o livre comércio mundial. O trabalho feito em espírito de serviço será considerado uma forma de devoção a Deus.


As guerras têm de ser abolidas e as energias dos homens concentradas em ocupações construtivas.


Os extremos de riqueza e pobreza serão eliminados, e os homens, de bom grado, auxiliarão seus semelhantes menos afortunados.


Bahá'u'lláh recomendava insistentemente a eliminação de todas as formas de preconceito e superstição, especialmente o preconceito racial. Esta questão é tratada mais específica e enfaticamente do que nas religiões passadas, e é considerada uma responsabilidade espiritual, e não somente um problema humanitário ou educacional.


A Fé Bahá'í ensina também que a religião e a ciência não são contraditórias, mas sim, estão em harmonia e em acordo. Cada uma trata de um aspecto da existência necessário ao progresso do homem e devem ser consideradas como aliadas complementares na luta eterna do homem para seu auto-aprimoramento. A Fé prescreve também a educação universal, a igualdade do homem e da mulher, e a independente investigação da verdade. E não se deve usar de coerção alguma com o fim de induzir alguém a aceitar qualquer ponto de vista especial referente às questões fundamentais da vida; mas se ensina que cada um deve encarar essas questões de frente, estudar e considerar várias maneiras de tratá-Ias, julgando que é privilégio seu bem como uma responsabilidade, tomar uma decisão e executá-la.


Os Bahá'ís crêem que estes princípios em conjunto representam um esboço da sociedade mundial do futuro, e que Deus, por intermédio de Bahá'u'lláh, os deu à humanidade como único remédio para os problemas em que o mundo moderno se encontra. É nossa incumbência pormos em prática estes princípios revolucionários, se quisermos evitar a autodestruição e compreender o tremendo potencial para desenvolvimento construtivo que a ciência moderna e a tecnologia tornaram possível. Nenhum destes princípio pode ser separado dos demais; e, para sua plena realização, todos eles dependem da regeneração espiritual que deve ocorrer antes da humanidade estar preparada ideologicamente para aplicá-los com êxito. Há muitos preconceitos e atitudes profundamente arraigados que temos de superar primeiro, e só podemos esperar fazer isto através do poder de Deus, que efetuou no passado alterações igualmente dramáticas nas tendências sociais.


Ordem Administrativa


Como nova expressão religiosa atuando sob circunstâncias amplamente mudadas, a estrutura organizacional da Fé Bahá'í difere, em importantes aspectos daquela das religiões ortodoxas do passado. Na Fé Bahá'í não há clero profissional. As várias funções de administração, ensine, assistência social e devoção são exercidas por Bahá'ís, nenhum dos quais têm distinção clerical, mas são eleitos por um processo democrático para cargos administrativos, ou se levantam voluntariamente para servirem de acordo com sua preparação e habilidade. A unidade na base da estrutura é a Assembléia Espiritual Local, composta de nove membros eleitos anualmente, existindo onde quer que haja - numa cidade, aldeia ou distrito - nove ou mais Bahá'ís adultos. A Assembléia pode nomear comitês para tratar de tarefas específicas, mas é responsável pelo progresso e bem estar da Fé e dos crentes em sua área. De modo semelhante, a Assembléia Espiritual Nacional, também com nove membros eleitos, é responsável pelos assuntos da Fé em nível nacional. A Casa Universal de Justiça é a suprema autoridade administrativa para os Bahá'ís no mundo inteiro.


A Fé acentua a grande importância de uma atitude espiritual na consulta em grupo. Muito esforço se faz para que sejam deixadas de lado as tendências humanas que tantas vezes causam o desmoronamento de grupo em alterações triviais e conflitos contraproducentes. Espera-se que cada membro expresse seus pontos de vista com a maior habilidade possível, abandonando qualquer identificação pessoal com o seu posicionamento original. Então se faz um esforço genuíno para desenvolver uma opinião grupal que represente a sabedoria do conjunto e possa ser entusiasticamente apoiada por todos.


As atividades da Fé são financiadas exclusivamente por contribuições voluntárias dos Bahá'ís. Não é possível aceitar contribuições de pessoas não Bahá'ís a não ser para fins de obras de caridade, e nunca se faz coleta numa reunião bahá'í. Por um processo ordenado, cada comunidade de Bahá'ís estabelece um Fundo. Os crentes contribuem para os Fundos locais e nacionais, sem pressão, por intermédio do tesouro eleito por cada Assembléia.


Existem no mundo 5 Casas Bahá'ís de Adoração localizadas, nos Estados Unidos, na Alemanha Ocidental, na Austrália, em Uganda e no Panamá. Além destas, estão sendo construídas, uma na Samoa Ocidental e outra na Índia.


No decorrer do tempo, haverá Casas Bahá'ís de Adoração em todas as localidades, mas no momento, enquanto os recursos são relativamente pequenos, há poucas sedes locais, e a maioria das comunidades se reúnem em casas particulares ou em salões alugados. Os Bahá'ís reúnem-se a cada dezenove dias para devoção, consideração dos assuntos da comunidade, e confraternização. Observam vários Dias Sagrados Bahá'ís, sendo convidados para certas comemorações pessoais de outras regiões.


As atividades de ensino ao público ficam a critério das comunidades individuais e assumem muitas formas. A ênfase, presentemente, está na mais larga difusão possível da Fé. Uma sucessão de planos mundiais, em progresso desde 1937, tem estabelecido a Fé na maior parte dos países e territórios do globo. Muitos Bahá'ís têm saído como "pioneiros" para remotos cantos da Terra, estabelecendo-se como residentes na área, sem título ou cargo, trabalhando, conseguindo meio de vida independente, se há possibilidade disso, e apresentando os ensinamentos de Bahá'u'lláh da maneira que as condições locais permitam.


Os Bahá'ís têm uma convicção de que a ordem administrativa que estão construindo, pondo em prática todos os ensinamentos de Bahá'u'lláh tão completamente quanto podem, é realIl1ente um modelo-piloto da futura ordem mundial. E uma sociedade internacional em miniatura, sem conflitos nacionalistas ou ideológicos, sem preconceito racial, sem distinção de classe, sem as barreiras de diferenças religiosas. Bahá'ís residem agora em mais de 373 países e dependências e vêm das mais variadas origens nacionais, raciais, religiosas e sociais. Acreditam que, no decorrer do tempo, à medida que o mundo buscar, desesperadamente, uma saída do caos, se tornará consciente do exemplo da sociedade Bahá'í em seu meio - sociedade esta, fundada em princípios espirituais, mas harmonizando estes com adiantados conceitos seculares, a fim de conseguir um organismo social que funcione eficazmente. O mundo, então, poderia estar pronto para seguir este exemplo.


Conclusão


A Fé Bahá'í é uma religião, uma sociedade e um modo de vida. Verdades espirituais que o mundo necessita, mas das quais se desviou, ela as oferece de novo e para regular a sociedade, provê leis que são novas e se adaptam às exigências de nossa própria era. Está ainda em sua infância, com suas mais importantes realizações e seu maior período de crescimento à sua frente. Como no caso de muitas religiões mais antigas, seu processo nesta etapa pode parecer relativamente lento, pois suas idéias são adiantadas, e muitos são os ajustes e os sacrifícios exigidos daqueles que a seguem.


Em retribuição, oferece-lhes não só uma resposta para os problemas pessoais, que surgem numa sociedade moderna e complexa, com suas tensões extremas, mas também o conhecimento inspirador de que estão participando dos anos formativos de uma Fé destinada a ser grande - uma Fé que nutre a mais nova Mensagem de Deus ao mundo e é o canal através do qual a humanidade será conduzida para a unidade, que é a sua única salvação.


Nas palavras de Shoghi Effendi: "O princípio da Unidade do Gênero Humano ... representa a consumação da evolução humana - uma evolução que teve seus primórdios no despontar da vida de família, seu desenvolvimento posterior ao alcançar a solidariedade de tribo, a qual por sua vez levou à constituição da cidade-estado, cuja expansão subseqüente resultou na instituição das nações independentes e soberanas.


"O princípio da Unidade do Gênero Humano, segundo foi proclamado por Bahá'u'lláh , acarreta nada mais nada menos que uma solene asserção de que chegar a esta etapa final, nesta estupenda evolução, não é apenas necessário, mas sim inevitável, que sua realização se aproxime rapidamente, e que nada menos que um poder oriundo de Deus conseguirá estabelecê-la."


BIBLlOGRAFIA


São relacionados abaixo vários livros básicos Bahá'ís que auxiliarão o leitor que deseje adquirir um conhecimento mais amplo da história e ensinamentos bahá' ís. Muitos podem ser encontrados em bibliotecas públicas ou de universidades. Uma lista de publicações pode ser obtida, a pedido, da Editora Bahá'í - Brasil, R. Eng. Gama Lobo 267, 20551 - Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Livros Bahá'ís também podem ser encontrados em várias livrarias. Professores ou alunos que desejem assistência ou sugestões, escrevam para a Sede Nacional Bahá'í, R. Eng. Gama Lobo 267, 20551 Rio de Janeiro, RJ, Brasil, ou a Sede Nacional dos Bahá'ís de Portugal, Av. Ventura Terra 1, 1600 - Lisboa, Portugal, ou Sede Nacional dos Bahá'ís de Cabo Verde, Angulo das Ruas do Senegal com Antonio Nunes, Praia, Cabo Verde.


Escrituras Sagradas


A Revelação Bahá'í


Uma grande seleção das escrituras de Bahá'u'lláh e 'Abdu'l-Bahá. As de Bahá'u'lláh incluem sobre Deus e Seus Manifestantes, o Homem, a Unidade Mundial e a conduta individual. As escrituras de 'Abdu'l-Bahá tratam os mesmos assuntos e incluem uma seção especial concernente ao cristianismo. (275 pág.)


Epístolas de Bahá'u'lláh


Uma compilação de epístolas escritas nos últimos anos da vida de Bahá'u'lláh que enunciam certos preceitos e princípios que constituem o âmago de Sua Fé.


Estas Epístolas - efusões poderosas e finais de Sua pena incansável - ocupam uma posição eminente dentre os frutos mais seletos revelados através de Sua mente, e marcam a consumação de Seu ministério de quarenta anos. (301 pág.)


Kitáb-i-Iqán (O Livro da Certeza) por Bahá'u'lláh


Expõe o grande esquema redentor de Deus, revelando a unidade da religião, sua continuidade e evolução através dos Profetas sucessivos de Deus, e elucida várias passagens alegóricas das Escrituras judaicas, cristãs e islâmicas, cujo significado está "selado até o tempo do fim". (189 pág.)


As Palavras Ocultas de Bahá'u'lláh


Meditações breves e poéticas que cristalizam a essência de toda a verdade revelada. (71 pág.)


O Esplendor da Verdade por 'Abdul'l-Bahá


Explanações sobre uma grande variedade de questões espirituais e filosóficas, e uma parte devotada especialmente a temas cristãos. (244 pág.)


Orações Bahá'ís


Uma seleção de orações e meditações reveladas por Bahá'u'lláh, o Báb, e 'Abdu'l-Bahá. (159 pág.)


A Proclamação de Bahá'u'lláh, compilada pela Casa Universal de Justiça


Uma compilação de Epístolas em que Bahá'u'lláh proclamou, em linguagem clara e inconfundível, aos reis e governantes do mundo, aos seus líderes religiosos e à humanidade em geral, que a era, longamente esperada, de paz mundial e fraternidade, havia, finalmente, se iniciado e que Ele Próprio era o Portador da nova mensagem e do poder de Deus que iriam transformar o sistema, então prevalecente, de antagonismo e inimizade entre os homens e criar o espírito e a forma da predestinada ordem mundial. (131 pág.)


Obras Introdutoras e Diversas


Bahá'u'lláh e a Nova Era por J. E. Esslemont


Um livro básico de introdução à Fé Bahá'í, apresentando a sua história e ensinamentos. Inclui muitas citações das escrituras Bahá'ís. (219 pág.)


Ladrão na Noite por William Sears


Escrito como um romance de mistério, com o subtítulo "O Estranho Caso do Milênio Esquecido". Esta apresentação de Bahá'u'lláh como Aquele previsto nas Escrituras do mundo, prende o interesse do leitor desde a primeira página. Há mais de 400 referências da Bíblia. O título é inspirado na passagem: "Mas o dia do Senhor virá como um ladrão na noite ..." II Pedro, 3:10 (280 pág.)


Prescrição para a Vida por Ruhíyyih Rabbani


A abordagem Bahá'í dos problemas íntimos da vida cotidiana, pela viúva de Shoghi Effendi. (231 pág.)


Chamado às Nações por Shoghi Effendi


Uma seleção das mensagens de Shoghi Effendi que proclamam o significado e o propósito da Mensagem Bahá'í. Uma luz e guia para toda a humanidade neste tenebroso período de nossa história - período esse, todavia, cujo horizonte distante resplandece com a promessa daquele mais glorioso de todos os dias, predito através de todos os tempos por profetas e videntes, e celebrado em verso por poetas - aquele dia que desponta agora, realmente, para os filhos dos homens em sua tribulação e desespero. (84 pág.)


Cristo e Bahá'u'lláh por George Townshend


Traça a história e explica o significado da expectativa cristã do advento do reino de Deus sobre a terra. (120 pág.)


Renascimento da Civilização por David Hoffman


Uma breve exposição da origem e crescimento da comunidade bahá'í, a natureza prática de seus ensinamentos, e a promessa que contem. (127 pág.)


Unidade Mundial - Um Modelo para a Sociedade Futura por Stanwood Cobb


Um enfoque nos ensinamentos sociais da Revelação enunciada por Bahá'u'lláh, cuja finalidade é o estabelecimento de uma Nova Ordem Mundial neste planeta. (103 pág.)


História e Desenvolvimento Administrativo


A Presença de Deus por Shoghi Effendi


A história do primeiro século da Era Bahá'í - de 1844 a 1944.


Esta majestosa história recria as cenas e eventos do primeiro século da Dispensação Bahá'í (1844-1944). Presenciamos a declaração do Báb ao Seu primeiro discípulo.Seu aprisionamento e martírio, o destino dos heróicos Rompedores da Alvorada, o aprisionamento e exílio de Bahá'u'lláh, a Sua revelação de livros e epístolas, o papel do Centro do Convênio e Suas viagens ao Egito, Europa e América e o levantamento da Comunidade Bahá'í e a ordem administrativa através do mundo. (552 pág.)